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A inCERTEZA DO AMANHÃ

«O problema nem é a incerteza do amanhã, o problema é não vislumbrarmos ideia, chance, alguma que nos alivie dessa incerteza»
Joa de Arievilo

11.2.12

1 vAi gOsTar deSte cOmeNtário

Gostei do título, até pensei que o nosso RAPinho ia cascar forte e feio nos facebookianos incluindo Cavaco, Passos, Seguro, e outros ilustres frequentadores, já que os facebookianos parecem ter esquecido o sensível artista que aos 14 anos já lia os Maias, pois, não o tenho visto na lista dos ‘gostam disto’.
Ler os Maias aos 14 anos é obra, (depois ainda dizem mal da nossa juventude). Afinal, é como dar pão com sardinha assada e vinho tinto a um bebé de seis meses, ou bagaço na chucha para adormecer, aquilo faz um bem danado!, mas dará para que, um dia, ao escrever uma crónica, possa dizer de si:
— Aos seis meses eu já comia pão com sardinha assada e bebia vinho tinto!, e depois dos catorze, com um uísque à frente, fumava de cachimbo a ler Branca de Neve, o Zé Carioca, a Alice, Lúcio o Xerife, e o Homem de Borracha.
É lógico que com tal preparação só poderia desembocar no genial cronista que hoje temos à nossa frente!.
Assim muito obrigado, até eu era artista.

Há um sujeito ali abaixo, daqueles que só escrevem com o dedo polegar, que se lhe pergunto, Já leste A Montanha Mágica?
— Isso, aos dezoito anos já eu tinha lido! ‘um pouquinho mais tarde que o RAPidinho nos Maias, mas ainda assim de salientar se um dia escrever crónicas.

Quanto aos facebookianos fazem tanto jeito a tanta gente, há que lambuzá-los de elogios; são tão giros, tam simpáticos, falem-lhes que o Cavaco disse, o Passos disse, e será um sucesso!, é tudo boa gente por lá...
«declaram amizade umas às outras sem dificuldade nenhuma e qualquer proclamação simples como, por exemplo, "Ui, está tanto frio!", pode receber centenas de polegares aprovadores.» e são todos muito amigos! É uma pureza de gente. Uma vizinha que me pediu para aceder ao Facebook disse-me ainda há pouco:

— Veja este, diz que só falará sobre a minha canção se eu me despir nua!

Lá está, o RAPinho tem razão: "Ui, está tanto frio!", era para inquirir da temperatura em Lisboa. Pela pele de galinha da rapariga era só contar os pelinhos espetados, sacudir o termómetro como fazemos nos casos de febre e pumba!, esperava-se um minuto, e o polegar espetava-se no ar!
1 vai gostar deste comentário RAPidinho.

 http://aeiou.visao.pt/bom-dia-174-pessoas-gostam-disto=f645575#ixzz1m1aJXzON

15.11.11

BurAcOs, Sim!

Escolho o buraco!
Um buraco sempre faz sonhar!
É pelos buracos que nascemos!
Vemos, (nos) vimos e vamos!
É pelos buracos que brigamos e nos deliciamos!
Imagine uma mulher, um gay sem buracos?
Uma estrada sem o seu buraquinho?
O buraco do esgoto entupido?
Uma garrafa de vinho?

Ai, veja as protuberâncias à altura da bacia na mulher
só para salientar os buracos!
E o buraco de verme que nos faz sonhar novas viagens...
Os buracos negros com os mistérios do mundo sem imagens.
É pelos buracos que extraímos o petróleo
O ouro, a prata e demais minérios!
É pelo buraco que Cristiano mete o golo
E vibra o sapiente e o tolo!

Anos e ânus de leveza quando nos aliviamos!
Foi pelos buracos que vivemos tão soberbos e felizes
nestes abrilescos anos!

Buracos rombos, oblongos, quadrados,
largos, sisudos, sorridentes, sedutores apaixonados!
Ai não digam mal dos buracos que nos fizeram sonhar
e tornaram os sócrates e os guterres tam amados!
Veja as calças esburacadas das meninas e meninos
de cus ao léu em manifestação indignada!
Não digo mais nada que não seja

Buracos sim, ainda que os do cu, alguns, etéreos,
ao sexo se mantenham preservados!

30.8.11

o ViRgOLiNo

(Na foto não é o Virgolino, mas o pai, tio, ou primo)

Tenho um novo amigo, o Virgolino. Creio ser este o segundo Virgolino que conheço em toda a minha vida. Viriatos, Virgílios, Vidales, Vicentes, Viegas, Vilelas, Vitales Vítores, eu conheci vários, mas Virgolinos, só um, Graças a Deus!
O primeiro Virgolino era um harpalhão, grande e largo! O primeiro Virgolino papou a miúda mais bonita da vila. Ela em criança dizia que só gostava de mim, do Mário e de outro que não me vem o nome. Mas cresceram-lhe os atributos de mulher, nós continuámos a ir brincar para o campo de ténis, e o Virgolino que não tinha jeito nenhum para a bola, papou-a. Que injustiça, se ela gostava era de nós os três. O outro que não me vinha o nome era o Mirradilho. Fomos os três atraiçoados enquanto jogávamos à bola. Depois dizem que o desporto é saudável! Para os Virgolinos, será.
O segundo Virgolino, Ah, Esse sim, Não atraiçoa ninguém! É muito pequenino, cabe-me em cima de um dedo, mas come-me a hortelã toda. Sobe ao ponto mais alto do raminho da hortelã e começa a comer por aí abaixo, deixando tudo limpinho como o pau de uma vassoura.
Não nos conhecemos na guerra, nem só em guerras se fazem amigos. De um canteiro de hortelã pode sair um amigo. Já foi há uns bons, vários, e largos dias, descobri um praga deles ‘É raio que nos comem todas! ‘gritariam as plantas se falassem. Assim, agarrei-os, um a um, e fui libertá-los no quintal do Batista, sem ele ver, claro, que o Batista tem um quintal a sério.

Nunca o segundo Virgolino (esqueçamos de vez o outro) se interroga se o almoço é uma crónica ou lá o que é! Limita-se a comer o que o condescendente amigo lhe proporciona, e lá vai comendo e passeando.
O estômago é um lugar muito frágil do ser humano, um murro no estômago, um bom almoço, uma pinga, guloseima, (até uma phoda) e deixamo-nos ir que nem ginjinhas.
Os almoços são a situação, o lugar, ideal para se ter muitos amigos, falsos amigos, muitos abraços, muitas saudades. Acaba o almoço e tudo se apaga, paga, só voltando a amizade precisamente à hora do almoço do ano seguinte.
Eu aprendi que os amigos não são como os almoços que se fazem a nosso contento para nos unir e captar por um momento. Os amigos já nascem feitos, como eu e o Virgolino. Porque a amizade é feita de conhecimento e compreensão das coisas. Depois, ou se é amigo ou não se é amigo. (Mas cá para nós, o que aconteceria à amizade do Virgolino para comigo se eu não tivesse hortelã com fartura?)

Mas também tenho um almoço anual, não de heróis de guerra, embora lá tivéssemos batido com a espinha como os outros, mas de pessoas que perderam tudo em prol da revolução. Mas a nós coube-nos o papel de sermos os maus da fita, e bico calado. Já viram que em tudo, tem sempre de haver os bons e os maus?
Mas ao almoço. É linda toda aquela confluência de amigos, a comer, a falar e a beber. Enchem-se os queixos, barbas, mãos, de gorduras, batatas fritas, as camisas de nódoas de gordura, vinho, e gargalhadas. É um piadão ver jovens belos, elegância invejável, transformados em velhos barrigudos carecas; raparigas lindas, cansadas, doridas, maçãs ressequidas, chinelos velhos, a clamarem das dores...

Na unidade onde cumpri o meu tempo de guerra, as rendições eram individuais, isso permitia ao esquadrão estar sempre operacional e experiente. Tinha outra particularidade curiosa, os militares malcomportados, castigados, antes ou depois de saídos da prisão, iam para lá tentando aproveitamento militar. Ou seja, Os apanhados do clima passavam por lá todos, ou iam diretamente para a ilha prisão Xefina, consoante a gravidade dos casos.

A minha vizinha assou uns frangos na rua, tive de fechar tudo por causa do cheiro. O pobre do Virgolino grama o fedete todo dos frangos assados. Para quem está habituado ao odor natural da hortelã, deve ser doloroso. E agora estão em festa africana, música altíssima, insuportável barulho de discoteca aqui em casa... Que acham, vou buscar o Virgolino para casa, protegê-lo da barbárie humana?

P.S.
Crónica de onde foi inspirado este trabalho:

7.8.11

a miNiSTRa mATa mElros

Aquele passarinho que ao fim das tardes me faz parar, ali abaixo, para o ver cantar em cima da chaminé do Francelino Adolciano, ou na Antena de televisão do Alvernaz, foi condenado à morte!

No quintal do polícia reformado Galvão, os condenados à morte fizeram o ninho e criaram os filhotes (todos os anos o fazem) que andavam ali pelo quintal aos pulos, esvoaçando, aprendendo a voar, para alegria do octogenário.

Um dos pássaros mais esquivos do nosso território decidiu confiar no ser humano e adaptar-se à vida junto dele nas cidades, nidificando pelos quintais, jardins, correndo pelos relvados a caçar insetos, ou adoçando-nos a vida com o seu canto, brindando-nos com o seu cadinho de mundo natural.

Todos os dias ao romper da alva um melro me entoa uma das suas melodias e me lembra o mundo a que pertenço.
Em troca, vamos atraiçoar essa confiança e condená-lo à morte?
Motivos: Mais umas vendas de licenças e cartuchos!
(Será para poupar? Humanizar?).

Senhora Ministra da Agricultura não queira ficar conhecida como a Ministra Mata Melros!
Não destrua a simpatia e esperança que tenho em si, por favor! Permita-me que desfrute do canto doce dessa ave e continue a apreciá-la, a ela e a si sem o pavor, e longe, dos sustos da metralha!